• SOBRE O MÉTODO

    "A interrupção do diálogo direto com as grandes obras em ambientes de ensino é uma marca lamentável da educação contemporânea. Livros fundamentais tornaram-se obscuros porque não há quem os ilumine. Até existem alguns professores que falam sobre eles em sala de aula, mas não levam os alunos a uma imersão neles.

    Nos anos da luz medieval, o mestre era o "lente", o leitor, isto é, aquele que, diante dos alunos atentos, abria um texto tido por indispensável para a formação intelectual e o lia em voz alta, fazendo, em seguida, todos os apontamentos que julgasse pertinentes. Não se pensava em aulas com o formato de resumo e de esquema, abarrotadas de improvisação e rascunhos, tal qual a praxe atual impõe. O professor entrava na sala, abria o livro e começava a lê-lo e comentá-lo. Tudo muito, muito simples, mas com resultados tão excelentes que parecem inalcançáveis para nossos paradigmas pedagógicos.

    Ressalte-se que os professores eram mestres bem formados em gramática, lógica e retórica e, portanto, estavam plenamente capacitados para discursar sobre toda sorte de temas, máxime sobre a disciplina que lecionavam. Todavia, reservavam essa habilidade para outras situações, não para a aula, pois esta tinha os seus ritos próprios, à semelhança do que se passa com a religião. Ora, não foi à sombra dos templos e dentro deles que amiúde se organizou o ensino desde a Antiguidade? Isso desnuda outro absurdo da formação pedagógica atual, que exige do professor algo para o qual não teve o devido preparo, a saber, a sustentação oral de um argumento com o auxílio exclusivo da memória. A quantas aulas não assistimos que careciam absolutamente de cabeça, corpo e pé? Que o leitor consulte o arquivo de suas memórias.

    E que não se pense que as aulas fossem monótonas! Terminadas a leitura e a exposição do professor, iniciavam-se as questões e as discussões do conteúdo lido. Eis um dos segredos para que os antigos fossem capazes de depositar uma quantidade assombrosa de material na memória de forma indelével: a repetição em circunstâncias diversas - escuta atenta, respostas a questões, discussões, leitura e meditação individuais - do mesmo conjunto de informações.

    Talvez aí esteja a chave para recuperarmos a boa rota do ensino:

    a) a leitura simples e literal de obras fundamentais para certa área do saber;
    b) os comentários feitos por um mestre experiente de frase por frase do texto;
    c) a apresentação de questões que devem ser respondidas oralmente;
    d) as discussões das dificuldades que o texto suscita.

    Isso não deve acontecer nas nossas escolas e universidades tão cedo, talvez nunca ocorra, mas não há nada que nos impeça de trazê-lo à realidade em nossos grupos de estudos."

    -William Bottazzini Rezende

    SOBRE O CLUBE DE LEITURA


    Frutos da compreensão de que a meditação e a leitura de grandes obras desempenham um papel fundamental na educação, os encontros têm por fim ampliar e explicar o sentido das obras lidas, a partir da leitura comentada realizada pelo Prof. Angueth.

    Tal método proporciona uma maior fixação das lições aprendidas, e foi amplamente utilizado pelos medievais.

    Apesar de recomendada, a compra ou a leitura em casa da obra estudada não é obrigatória para o aproveitamento da aula.

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