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Santa Jacinta Marto e as ideologias

Como o exemplo da pequena pastorinha de Fátima deve inspirar os cristãos a não se contaminarem pelas ideologias "da moda"

· Escritura e História

“Hão de vir umas modas que ofenderão muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo.” 

Santa Jacinta Marto

Para o “dicionário” de DSI, moda é sinônimo de ideologia. E não faltam más interpretações para essa palavra tantas vezes citada hoje em dia [1]. Ninguém gosta que lhe seja apontado o dedo por fazer parte dessa ou daquela ideologia, ao passo que é comum a rotulação alheia. Faz-se necessário, diante da confusão que sempre cercou essa questão, uma definição clara dos pensamentos que guiam a mente das pessoas. E, para isso, deve haver uma autoridade que possa exercer a distinção moral das correntes de pensamentos, não por mera intromissão autoritária, mas pelo milenar conhecimento da realidade humana e pelo seu dever e natureza própria. Essa autoridade é a Igreja Católica.

Não são poucos os católicos que se deixam levar por ideias contrárias à doutrina da Igreja, principalmente no que diz respeito às questões sociais. Isso ocorre por duas razões principais. A primeira delas é a concepção errônea de que a Igreja não deve interferir nessas questões, por não ser de sua competência abordar tais assuntos. A segunda decorre dos próprios fiéis que, por preguiça - ignorância vencível - ou por impedimento - ignorância invencível -, não se dedicam ao conhecimento da Doutrina Social da Igreja. Em relação à primeira cabe lembrar que “a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e de fazê-las participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida cotidiana dos homens, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múltiplos aspectos, dentro do condicionalismo das várias épocas.”[2]

Infelizmente, os ensinamentos magisteriais ganharam uma significação de serem meras “opiniões” papais, sem aplicação ou eficácia. Disso decorre uma massiva adesão de fiéis às mais diversas ideologias. Essa concepção do ensino social é equivocada, além do que, dos fiéis são requeridas uma firme adesão e promoção da DSI, devido a sua pertença ao corpo doutrinal e a sua necessidade ao progresso moral dos homens. Afinal, “uma doutrina social não se enuncia apenas; aplica-se na prática, em termos concretos.” [3]

Se um indivíduo se dedicar a estudar a doutrina social verá que muitos dos erros e mazelas enfrentados pelos povos hoje em dia foram alertados e contrapostos pela sucessão de papas que se empenharam a escrever e proferir orientações sobre as questões políticas, culturais, trabalhistas e demais situações que dizem respeito ao convívio humano. [4]

Como católicos, diante de um mundo que naufraga na ilusão salvífica dos sistemas políticos e das frustrações das diversas teorias filosóficas que acabam por solapar a verdadeira esperança e enganar cada vez mais as pessoas, devemos nos propor um sincero exame de consciência, para compreender a incompatibilidade e os riscos de preferirmos certas ideologias à reta Doutrina da Igreja. Bento XVI, em terras brasileiras, ao tratar da esperança evangelizadora nas Américas, afirmou que “não é uma ideologia política, nem um movimento social, como também não é um sistema econômico; é a fé em Deus Amor, encarnado, morto e ressuscitado em Jesus Cristo, o autêntico fundamento desta esperança que produziu frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje.” [5]

De fato, surgiram e hão de surgir modas que enganarão multidões sedentas de verdade, por não verem resplandecer a sabedoria divina e humana que emana da Igreja. É tempo de aderirmos fielmente ao ensinamento da Igreja, e isso inclui os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, caso seja do nosso interesse contribuir para o bem de todos e o progresso moral da sociedade. Com o uso da razão e a vivência da virtude da obediência, devemos renunciar a qualquer moda passageira e seguir os ensinamentos daquela que é Mãe e Mestra, guia dos povos, luz para os tempos em que vivemos.

Thiago Martins

Referências bibliográficas

[1] Entende-se ideologia aqui como sendo uma lente pela qual se vê a realidade, isto é, uma deturpação da própria realidade, visto que, por não se aceitar as coisas como são, tenta-se reinventá-la, a partir de de uma concepção de mundo prévia ou de uma ideia específica.

[2] Mater et Magistra, 3 – João XXIII

[3] Mater et Magistra, 225 – João XXIII

[4] Por ocasião da citação inicial desse artigo, cabe ressaltar o alerta de Nossa Senhora de Fátima, ignorado e mal visto por muitos, a respeito dos erros da Rússia que se espalhariam pelo mundo, confirmado pelas constantes afirmações dos papas a respeito dos perigos do comunismo e da sua incompatibilidade com o cristianismo.

[5]. Bento XVI, Homilia da Santa Missa de Inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latinoamericano e do Caribe, Santuário Nacional de Aparecida, Brasil, 13 de maio de 2007.

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