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Qual é, afinal, o papel do leigo na Igreja?

Jean Ousset nos ensina, resumidamente, qual a missão do leigo

“Que os leigos sejam não somente considerados, mas tratados como adultos", atribui-se a um discurso do Monsenhor D’Souza, em uma das sessões conciliares. "A Igreja não é um estado totalitário… Deve-se renunciar ao clericalismo… Demos plenamente aos seculares o que lhes pertence", ele acrescenta.

 

Mas, o que é que lhes pertence? Existem muitas maneiras de conceber sua missão. Tantas quantas são as formas distintas de conceber o clericalismo e o anticlericalismo. No referente ao laicato, existem análogos equívocos. Há poucos temas tão difundidos como o de sua promoção. Sim, mas promoção a que? Promoção para que? Uma vez mais, Pio XII nos vai iluminar nesta busca:

 

“Hoje em dia, escreve, a responsabilidade dos homens católicos parece maior e mais urgente em vista da organização mais avantajada da sociedade e do papel que cada um está chamado a desempenhar dentro dela (...) Ao nosso redor, as forças do mal estão poderosamente organizadas, trabalham sem tréguas. (1)

 

Sob este aspecto, os fiéis, e mais precisamente os seculares, se encontram na primeira linha da vida da Igreja…” (2)

 

Fórmula decisiva e que expressa claramente um caráter novo.

 

Promoção indiscutível. Não pelo grau. Não porque faz do secular igual ao clérigo. Mas sim pela promoção na ordem de um combate que se tem feito mais urgente.

 

Promoção que, do humilde servidor de ontem, pode fazer o salvador de hoje; porque sucede que, no dispositivo dos conflitos atuais, o modesto lugar de servidor se converteu em dos pontos fortes de onde pode surgir o ataque vitorioso.

 

Promoção que, através da história dos séculos cristãos, constitui o que alguns chamariam: a hora da verdade do laicato. Porque é o momento de seu combate específico…

 

Que nos regozijemos ou que o deploremos pouco importa; mas é que o cidadão de nossas democracias modernas, muito mais que o súdito dos reis do passado, não pode se desinteressar, sem graves danos, das coisas da cidade.

 

E este dever que lhe diz respeito, de presença, de vigilância, de salvaguarda, de ação, é tanto mais imperioso quando (pelo fato do pragmatismo em questão) o ataque atual não busca já tão diretamente, como antes, destruir o mesmo Dogma (pelo enunciado de proposições contrárias), senão [que busca] constituir um meio social tal, que consiga que a vida cristã seja progressivamente destruída ou miseravelmente degradada.

 

Pois existe uma forma de ateísmo mais completa que o enunciado pelas piores teses antiteístas… e é a realização de uma sociedade em que o clima, o condutor da vida das gentes, a ordem das coisas, sejam tais que não preocupe aos ateus negar a existência de Deus, combater a religião nela. Já que nessa sociedade Deus chegou a ser o grande esquecido, o grande ausente, aquele sobre o qual o mínimo pensamento já não importa a ninguém. Aquele que ( ao contrário de sua definição clássica de “Ser universalmente necessário”) está considerado em todas as partes como simples objeto de livre opção, quase inútil, supérfluo.

 

O que nos permite melhor compreender que o secular, hoje em dia, está, em certo sentido mais que o clérigo, “na primeira linha”. Porque, hoje em dia, a heresia representa menos o que se diz  do que o que se professa, menos o que se dogmatiza do que o que se faz, o que se pratica do que o que se vive.

 

Extraído do livro “ Para que ele Reine - Catolicismo e Politica, por uma Ordem Social Cristã. ” - Jean Ousset

Referências bibliográficas

1 - Mensagem aos homens da Ação Católica Portuguesa, 10 de dezembro de 1950.

2- Discurso aos novos cardeais, 20 de fevereiro de 1946.

Tradução: Thiago Martins

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