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Por que os cristãos devem dar sua riqueza em vez de acumulá-la

Texto traduzido de Life Site News

 

"Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos Céus! Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus" (Mt 19,23-24)

 

A tradição cristã coloca uma forte ênfase no valor da pobreza voluntária e nos benefícios reais de ser pobre ou tornar-se mais pobre ao dar nossas riquezas materiais na medida do possível. Isto, por sua vez, baseia-se na necessidade de conversão interior em relação às nossas atitudes sobre aquisição, posse, prazer e felicidade. Devido à queda, somos tentados a colocar nossa felicidade nas criaturas, e uma das manifestações mais óbvias desta inclinação é a avareza ou o desejo desordenado de bens materiais e riquezas. Madre Teresa era famosa por dizer que as pessoas mais alegres que conheceu estavam entre as mais pobres, e as mais tristes, entre as mais ricas.

 

No segundo capítulo da segunda epístola a São Timóteo, lemos:

"Suporta comigo os trabalhos, como bom soldado de Jesus Cristo. Nenhum soldado pode envolver-se em negócios da vida civil, se quer agradar ao que o alistou. Nenhum atleta será coroado, se não tiver lutado segundo as regras." (2 Tim 2, 3-5)

Santo Tomás de Aquino oferece o seguinte comentário perceptivo sobre esses versículos:

 

O objetivo da guerra corporal é obter a vitória sobre os inimigos da pátria, e assim os soldados têm que se abster daquelas coisas que os desviam da luta, isto é, negócios e prazer. "Todos os atletas se impõem a si muitas privações" (1 Cor 9, 25). Mas o objetivo da guerra espiritual é ser vitorioso sobre os homens que são contra Deus, e assim devemos nos abster de todas as coisas que nos desviam de Deus. Ora, estes são “negócios da vida civil” (cf. 2 Tim 2, 4), porque a preocupação com este mundo sufoca a Palavra. E então ele diz: “Nenhum soldado pode envolver-se.”

 

Espere um minuto. Pode realmente ser verdade que “a preocupação com este mundo sufoca a Palavra”? Parece terrivelmente estreito e estrito. De fato, parece exatamente o oposto da crença e do comportamento da maioria dos cristãos nas sociedades ocidentais prósperas de hoje. Talvez, em certo sentido, sempre tenha sido assim, pois Aquino continua dando atenção a uma dificuldade em relação a Paulo, o fabricante de tendas:

Contra isso, alguém poderia dizer que os negócios seculares são temporais, e que o Apóstolo fez tais coisas, quando viveu pelo trabalho de suas mãos.

Como seria de se esperar, nenhum detalhe relevante no texto escapa à atenção do Doutor

Angélico. Ele encontra a solução na escolha exata das palavras de São Paulo:

 

Minha resposta seria que o apóstolo diz envolver-se, não exercer. Ora, um homem está envolvido nas coisas com as quais seus cuidados e preocupações estão conectados. Corretamente falando, então, as coisas proibidas aos soldados de Cristo são aqueles emaranhados da mente que se mostram desnecessários. Da mesma forma, ele não diz “estar envolvido”, mas “envolver-se”, pois alguém se envolve quando assume negócios sem piedade e necessidade. Entretanto, quando a necessidade do dever de piedade e autoridade está em questão, então não se envolve, mas se é envolvido por tal necessidade. “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, [...] para que a recebais no Senhor, [...] e a ajudeis em qualquer coisa que de vós venha a precisar." (Rm 16, 2).

A razão pela qual não devem se envolver é para que possa "agradar ao que o alistou" (2 Tim 2, 4). “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2, 15). Pois aquele que é soldado de Cristo se comprometeu a guerrear por Deus; e assim ele deve tentar agradar àquele com quem ele se comprometeu.

 

A análise de autoenvolvimento feita por Santo Tomás me fez pensar sobre o problema raiz com muito do que significa “capitalismo” hoje. O problema fundamental não é a exploração dos trabalhadores, o que é ruim, ou o excesso de pagamento de CEOs e CFOs, ou a produção de “bens” baratos, feios e descartáveis, ou a separação de pais das famílias e de mães dos filhos. Estas são de fato coisas terríveis, altamente típicas do mercado moderno. Mas o pior problema do capitalismo é o simples fato de que ele poderosamente produz, e por sua vez se retroalimenta, de um amor por este mundo que domina a alma - uma preocupação com posses, riquezas, status, poder, tantos “emaranhados da mente”, como Santo Tomás coloca. Todos os outros problemas mencionados acima fluem desta fonte.

 

As passagens da Escritura contra as riquezas merecem ser apresentadas de novo e de novo. O cristianismo é contra ficar rico e ser rico neste mundo por causa do perigo que é a riqueza do mundo para a saúde espiritual da alma. O amor pelas riquezas materiais rapidamente se transforma em anseio por elas, depois em cobiça, até que haja inveja, rivalidade, violência, prazeres egoístas e apatia, até mesmo desprezo por outras pessoas. Por uma lei da natureza decaída, a acumulação de riquezas mundanas leva ao vício e obstrui a virtude: “o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal”, como São Paulo diz de forma impressionante (1 Timóteo 6:10). Com o tempo, então, os ricos tenderão a ser os principais dentre as piores pessoas do mundo.

 

Basta lembrar da reunião de 2009 do “Good Club” em Nova York, que reuniu bilionários como Bill Gates, David Rockefeller, Ted Turner, Oprah Winfrey, Warren Buffett e George Soros, com o objetivo de criar estratégias sobre sua agenda favorita: a redução da população mundial através da contracepção e do aborto. Apenas uma cegueira causada pelo materialismo poderia adotar tal mal como um bem.

 

A primeira aflição de Nosso Senhor é sobre o perigo para a salvação apresentado pelo apego aos bens mundanos que reside em todo coração humano decaído. Os vícios e pecados reais vêm depois, quando o perigo foi ignorado e os apegos permitidos. Então, este é o motivo negativo para continuar dando o que ganhamos, o que temos, para outros que mais precisam.

 

Mas o motivo positivo é mais belo: "Vós conheceis a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por Sua pobreza.” (2 Cor 8,9). Queremos imitar nosso Mestre em Sua generosidade amorosa. É por isto que, quando Deus dá riqueza a uma pessoa, Ele a dá principalmente para beneficiar os outros, e não para que ela agrade a si mesma.

A tradição cristã coloca uma forte ênfase no valor da pobreza voluntária e nos benefícios reais de ser pobre ou tornar-se mais pobre ao dar nossas riquezas materiais na medida do possível. Isto, por sua vez, baseia-se na necessidadede conversão interior em relação às nossas atitudes sobre aquisição, posse, prazer e felicidade. Devido à queda, somos tentados a colocar nossa felicidade nas criaturas, e uma das manifestações mais óbvias desta inclinação é a avareza ou o desejo desordenado de bens materiais e riquezas. Madre Teresa era famosa por dizer que as pessoas mais alegres que conheceu estavam entre as mais pobres, e as mais tristes, entre as mais ricas.

No segundo capítulo da segunda epístola a São Timóteo, lemos:

"Suporta comigo os trabalhos, como bom soldado de Jesus Cristo. Nenhum soldado pode envolver-se em negócios da vida civil, se quer agradar ao que o alistou. Nenhum atleta será coroado, se não tiver lutado segundo as regras." (2 Tim 2, 3-5)

Santo Tomás de Aquino oferece o seguinte comentário perceptivo sobre esses versículos:

O objetivo da guerra corporal é obter a vitória sobre os inimigos da pátria, e assim os soldados têm que se abster daquelas coisas que os desviam da luta, isto é, negócios e prazer. "Todos os atletas se impõem a si muitas privações" (1 Cor 9, 25). Mas o objetivo da guerra espiritual é ser vitorioso sobre os homens que são contra Deus, e assim devemos nos abster de todas as coisas que nos desviam deDeus. Ora, estes são “negócios da vida civil” (cf. 2 Tim 2, 4), porque a preocupação com este mundo sufoca a Palavra. E então ele diz: “Nenhum soldado pode envolver-se.”

Espere um minuto. Pode realmente ser verdade que “a preocupação com este mundo sufoca a Palavra”? Parece terrivelmente estreito e estrito. De fato, parece exatamente o oposto da crença e do comportamento da maioria dos cristãos nas sociedades ocidentais prósperas de hoje. Talvez, em certo sentido, sempre tenha sido assim, pois Aquino continua dando atenção a uma dificuldade em relação a Paulo, o fabricante de tendas:

Contra isso, alguém poderia dizer que os negócios seculares são temporais, e que o Apóstolo fez tais coisas, quando viveu pelo trabalho de suas mãos.

Como seria de se esperar, nenhum detalhe relevante no texto escapa à atenção do Doutor

Angélico. Ele encontra a solução na escolha exata das palavras de São Paulo:

Minha resposta seria que o apóstolo diz envolver-se, não exercer. Ora, um homem está envolvido nas coisas com as quais seus cuidados e preocupações estão conectados. Corretamente falando, então, as coisas proibidas aos soldados de Cristo são aqueles emaranhados da mente que se mostram desnecessários. Da mesma forma, ele não diz “estar envolvido”, mas “envolver-se”, pois alguém se envolve quando assume negócios sem piedade e necessidade. Entretanto, quando a necessidade do dever de piedade e autoridade está em questão, então não se envolve, mas se é envolvido por tal necessidade. “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, [...] para que a recebais no Senhor, [...] e a ajudeis em qualquer coisa que de vós venha a precisar." (Rm 16, 2).

A razão pela qual não devem se envolver é para que possa "agradar ao que o alistou" (2 Tim 2, 4). “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2, 15). Pois aquele que é soldado de Cristo se comprometeu a guerrear por Deus; e assim ele deve tentar agradar àquele com quem ele se comprometeu.

A análise de autoenvolvimento feita por Santo Tomás me fez pensar sobre o problema raiz com muito do que significa “capitalismo” hoje. O problema fundamental não é a exploração dos trabalhadores, o que é ruim, ou o excesso de pagamento de CEOs e CFOs, ou a produção de “bens” baratos, feios e descartáveis, ou a separação de pais das famílias e de mães dos filhos. Estas são de fato coisas terríveis, altamente típicas do mercado moderno. Mas o pior problema do capitalismo é o simples fato de que ele poderosamente produz, e por sua vez se retroalimenta, de um amor por este mundo que domina a alma - uma preocupação com posses, riquezas, status, poder, tantos “emaranhados da mente”, como Santo Tomás coloca. Todos os outros problemas mencionados acima fluem desta fonte.

As passagens da Escritura contra as riquezas merecem ser apresentadas de novo e de novo. O cristianismo é contra ficar rico e ser rico neste mundo por causa do perigo que é a riqueza do mundo para a saúde espiritual da alma. O amor pelas riquezas materiais rapidamente se transforma em anseio por elas, depois em cobiça, até que haja inveja, rivalidade, violência, prazeres egoístas e apatia, até mesmo desprezo por outras pessoas. Por uma lei da natureza decaída, a acumulação de riquezas mundanas leva ao vício e obstrui a virtude: “o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal”, como São Paulo diz de forma impressionante (1 Timóteo 6:10). Com o tempo, então, os ricos tenderão a ser os principais dentre as piores pessoas do mundo.

Basta lembrar da reunião de 2009 do “Good Club” em Nova York, que reuniu bilionários como Bill Gates, David Rockefeller, Ted Turner, Oprah Winfrey, Warren Buffett e George Soros, com o objetivo de criar estratégias sobre sua agenda favorita: a redução da população mundial através da contracepção e do aborto. Apenas uma cegueira causada pelo materialismo poderia adotar tal mal como um bem.

A primeira aflição de Nosso Senhor é sobre o perigo para a salvação apresentado pelo apego aos bens mundanos que reside em todo coração humano decaído. Os vícios e pecados reais vêm depois, quando o perigo foi ignorado e os apegos permitidos. Então, este é o motivo negativo para continuar dando o que ganhamos, o que temos, para outros que mais precisam.

por Peter Kwasniewski.

Originalmente publicado em Life Site News

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