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O mínimo que você

PRECISA saber sobre a DSI

Entenda de onde vem a DSI e por que seus princípios devem

ser acatados e defendidos por todos os fiéis católicos

· Introdução à DSI

A Teologia Moral trata do estudo do comportamento moral do homem com base nas verdades reveladas por Deus. Essa disciplina aplicada às questões sociais constitui a DSI, que se fundamenta na Sagrada Escritura, na Tradição da Igreja e na lei natural. Há, portanto, uma ligação entre a ordem natural e a ordem sobrenatural, vínculo demonstrado precisamente por Jesus Cristo, que nos chama à ação em sua defesa.

A DSI fundamenta-se na Revelação

O pecado original subverteu a natureza humana e a ordem natural. O Senhor, no entanto, não abandonou a humanidade. Ele estabeleceu alianças que tornaram possível ao homem alcançar a retidão moral traduzida na justiça social e não apenas em uma relação pessoal com Deus (embora não sem dificuldades).

A aliança mais significativa, antes de Cristo, se deu com Moisés, quando foram revelados os Dez Mandamentos, que representaram uma mudança completa na sociedade da época e são, ainda hoje, a base para toda a vida moral. Não poderia ser diferente, pois eles constituem uma lei objetiva revelada por Deus sobre tudo o que é necessário para que cada pessoa e cada sociedade viva de maneira reta e justa.

Essa revelação é encontrada, ademais, ao longo de toda a Sagrada Escritura, no Antigo e Novo Testamento, nos quais encontramos, por exemplo, fundamentos para a defesa da dignidade da pessoa humana (Gn 1,27), do direito de associação — tendo em vista a necessidade da comunidade humana (Is 2,2-5) —, da justiça (Mq 6,5; Is 41,2; Lv 19,15), e da família (Mt 19,4-6), bem como fundamentos para o amparo aos indefesos (Pr 31,8), e para se explicar a relação entre autoridade secular e religiosa (Mt 22,15-22), entre tantos outros pontos.

Fundamenta-se na Tradição da Igreja

Após a morte de Cristo e dos apóstolos, a Verdade já havia sido toda revelada, mas a Igreja continuou a perscrutar a Sagrada Escritura ao longo dos séculos em busca de uma compreensão cada vez mais plena do plano de Deus para o homem. Apesar de a primeira encíclica social, Rerum Novarum, ser de 1889, e a sistematização da DSI ter sido feita no papado de Bento XV (pp. 1914-1922), seus princípios já eram aplicados há muito tempo, como o fez, por exemplo, São Gregório Magno (pp. 590-604) ao escrever uma exortação sobre a boa utilização dos bens (S. Gregório Magno, in Evang., Hom. IX, n. 7.). Além disso, as questões 90 a 108 da primeira seção da segunda parte da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino são dedicadas à discussão sobre a lei em geral — a lei divina, a lei natural, a lei humana —, a lei antiga e a lei nova.

É Cristo quem ilumina a Igreja ao longo dos séculos para que os homens se aproximem mais da Verdade e conheçam a ordem que deve reger a vida de cada indivíduo e de toda sociedade.

Fundamenta-se na Lei Natural

Apesar de os dois pilares anteriores (Sagrada Escritura e Tradição) pressuporem a Fé, a DSI se apoia também na ordem natural. Essa ordem é evidente nos fenômenos naturais, incluindo aqueles relacionados aos seres humanos, de forma que não podemos asseverar serem simples fruto do acaso, como defendem os relativistas (cf. Carlos Sacheri, A Ordem Natural, p. 48). No entanto, esta ordem vai além da realidade material e inclui também determinadas normas e leis que devem conduzir as decisões e ações de cada pessoa, permitindo-nos constatar a existência de um direito natural (op. cit., p. 49) que pode, inclusive, ser intuído por uma pessoa comum que busca uma consciência íntegra.

“Tal é a principal de todas as leis, a lei natural, escrita e gravada no coração de cada homem, por ser a mesma razão humana que manda o homem fazer o bem e lhe proíbe fazer o mal. Mas esse preceito da razão humana não poderia ter força de lei, se não fosse voz e intérprete de outra razão mais alta, à qual devem estar submetidos nosso entendimento e nossa liberdade.” (Encíclica Libertas, Papa Leão XIII)

Deste modo, por meio da reta razão e de uma filosofia justa muitos homens podem se aproximar do conhecimento da natureza humana e de seu aspecto social e, assim, deduzir determinadas normas que nos são inerentes, como nos mostra a filosofia de Aristóteles, que, posteriormente, serviu de base para a obra de Santo Tomás.

Não é uma ideologia

Como temos repetido insistentemente, a DSI não é uma invenção do Magistério para que sejam solucionados os problemas sociais, não é uma doutrina político-econômica ou um programa partidário-ideológico, embora tentem de forma constante e impertinente categorizá-la no espectro ideológico. Por isso, um cristão não pode se dizer de esquerda e nem mesmo de direita. Nós somos antes de tudo católicos, e o que deve definir a nossa luta política é a caridade, elemento central da Doutrina Social da Igreja.

Ao contrário do ódio pregado pelo marxismo, do qual provém uma subversão total da ordem natural, a caridade é o fundamento da justiça social. E tampouco estão os liberais isentos de crítica, pois o individualismo que lhes dá sustentação teórica tira de cada pessoa a responsabilidade que tem com essa mesma justiça, sendo totalmente oposto à fraternidade universal preconizada pelo catolicismo.

Cristo lhe chama para a ação!

Assim, Cristo chama os fiéis leigos para um tipo de apostolado característico de sua vocação: a recristianização do mundo. Se nos últimos séculos o mundo foi tomado por ideologias revolucionárias, por um laicismo crescente e um materialismo que confinou a Igreja à sacristia, isso ocorreu porque o laicato não cumpriu a sua missão. O nosso amor deve crescer com a graça de Deus e se exercer na ordenação da ordem temporal, a fim de que Cristo reine e a todos os homens seja possível alcançar a felicidade segundo a sua vocação própria.

Precisamos estudar a DSI e, ainda mais importante, agir! Seja nas câmaras legislativas, nas universidades, na mídia, no trabalho, criando associações para a defesa da vida, atuando em obras de caridade, enfim, no mundo.

“Que sob a direção da Igreja e à luz dos seus ensinamentos, cada qual se esforce, segundo o seu engenho, as suas forças e a sua condição, para prestar o seu concurso à obra da restauração social cristã… de sorte que, em tudo e por tudo, reine Jesus Cristo, a quem seja honra, glória e poder por todos os séculos.” (Quadragesimo Anno, Papa Pio XI, nº 158)

Matheus Godoi

Referências bibliográficas:

  • PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio de Doutrina Social da Igreja. Disponível em: <http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html>. Acesso em 12. jul. 2017,
  • SACHERI, Carlos Alberto. A Ordem Natural. São Paulo: Editora Cristo Rei, 2014.
  • PAULO VI, Papa. Carta Apostólica Octogesima Adveniens
  • BRODBECK, Rafael Vitola. Jesus Cristo: Rei do Universo. São Paulo: Editora Cristo Rei, 2014.
  • LEÃO XIII, Papa. Encíclica Rerum Novarum.
     
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