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Non Abbiamo Bisogno (1931): a resposta da Igreja ao fascismo

Como era a relação entre a Igreja Católica e o Fascismo Italiano?

· Encíclicas Sociais

A 31 de outubro de 1922 o rei Vítor Emanuel III da Itália (1869-1947) era forçado a depor seu primeiro-ministro Luigi Facta (1861-1930), do partido liberal, e a nomear Benito Mussolini (1883-1945), chefe do Partido Fascista Italiano, como primeiro-ministro do Reino da Itália.

A situação histórica que sucedeu a Primeira Guerra Mundial da Itália foi terreno fértil para a ascensão do líder fascista: mesmo do lado vencedor o reino italiano não foi privilegiado com a vitória; crises econômicas seríssimas afundaram o país em desemprego, inflação descontrolada e em perda de poder de compra; e o desastrado governo liberal não conseguia fazer escolhas acertadas para solucionar as muitas crises que assolavam o reino. 

Alardeando ser a salvação do povo italiano, nacionalistas ultra-radicais fundaram, em 09 de novembro de 1921, o Partido Nacional Fascista que, após eleições frustradas, tomou o poder à força em 1922. E, após três anos de governo em 1925, Benito Mussolini, o primeiro-ministro, se declarava Duce (líder) da Itália, implantando a ditadura fascista. 

Sob seu governo, concentrou-se o poder no Executivo, passou a existir o chamado crime de opinião, os jornais de oposição foram fechados e os partidos políticos não fascistas foram dissolvidos. Buscava-se o apoio popular em um sistema de “culto ao líder” em que o Estado e seu chefe-máximo eram cultuados como semi-divindades, exaltando-se o nacionalismo radical e a obediência irrestrita à liderança autoritária. A população era estimulada a pertencer às associações fascistas, assim como os professores tinham de cumprir o plano nacional curricular-educacional definido pelo Estado, em torno do qual tudo girava. A doutrina que regia a Itália sob o governo fascista podia ser baseada na frase “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada acima do Estado”.

Após um primeiro momento de condescendência com a Igreja Católica, assinando com ela o Tratado de Latrão pelo qual reconhecia a independência da Cidade do Vaticano, Mussolini começou a minar pouco a pouco a influência que a Igreja ainda detinha entre os italianos. 

Ateu radical, Mussolini detestava o Cristianismo. Dizia que a fé cristã havia “afeminado” o homem ocidental e transformado os romanos - e os povos ocidentais que os sucederam - em covardes e resignados. Tinha em Friedrich Nietzsche seu grande referencial no que tangia à sua visão da fé. E, em sua exaltação estatista, Mussolini não podia tolerar que a Igreja Católica, ainda tão presente na vida do povo italiano, continuasse a exercer a influência moral e espiritual que exercia. 

Em 1929 o Papa Pio XI (1857-1939, p.p. de 1922 a 1939) fundou a Azzione Cattolica (Ação Católica), associação de jovens italianos em defesa da Doutrina Social da Igreja. Intolerante com qualquer tipo de associação política dessa natureza fora de seus quadros, o Estado Fascista começou a perseguir a Ação Católica da mesma forma com que perseguia todos os demais grupos políticos não-fascistas. Em resposta, a 29 de junho de 1931, Solenidade de São Pedro e de São Paulo, Pio XI publicou a encíclica "Non abbiamo bisogno”, em que condenava abertamente o fascismo.

Na encíclica o papa denunciou o propósito fascista de monopolizar a juventude desde a infância, de calar aqueles que discordassem do partido único e de perseguir a Ação Católica. O papa ainda condenava explicitamente o fascismo como uma doutrina totalitária e pagã chamando-o de “verdadeira estadolatria pagã, não menos contrária aos direitos naturais da família quanto aos direitos sobrenaturais da Igreja”. 

O papa atacava principalmente o monopólio que o Estado fascista exercia sobre a educação dos jovens, afirmando claramente que isso afrontava a lei natural tirando da família e da Igreja seu dever natural de educar e ensinar. Exortava ainda os católicos a se posicionarem politicamente a favor da Ação Católica e exigia do governo fascista que parasse de persegui-la. Em suma, rejeitava claramente o fascismo como uma ideologia anticristã e declarava a doutrina de Mussolini como inconciliável com a fé católica e com a Doutrina Social da Igreja. 

A fim de facilitar a compreensão desse documento, elaboramos um infográfico com os principais pontos expostos na encíclica, os problemas, as falsas soluções e as soluções reais dadas pelo Santo Padre com base nos princípios expostos.

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