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Mensagem de um santo aos universitários católicos

A missão dos universitários católicos segundo Santo Alberto Hurtado

· Aplicação DSI,DSI histórico

Em mais um artigo de sua série sobre ação laical, o ISPA Brasil apresenta a tradução de uma conferência dada por Santo Alberto Hurtado na Universidade Católica do Chile, em 1945, exortando os universitários católicos, que em sua língua original está no livro "Un fuego que enciende otros fuegos - Páginas escogidas de San Alberto Hurtado."

Breve biografia do santo

Alberto Hurtado Cruchaga nasceu em Viña del Mar, Chile, em 1901. Educou-se com os jesuítas, no Colégio Santo Inácio. Em 1918, começou os estudos de direito na Pontifícia Universidade Católica do Chile, recebendo o título de advogado em 1923, justo antes de ingressar na Companhia de Jesus. Realizou sua formação teológica em Lovaina (Bélgica), onde obteve, ademais, o Doutorado em Ciências Pedagógicas. Em 1933, foi ordenado sacerdote. Desde sua volta ao Chile em 1936, dedicou-se ao ensino e ao apostolado entre os jovens. Destacou-se por sua profundidade espiritual, que teve como consequência uma grande fecundidade apostólica. A preocupação pelos mais pobres, que o acompanhou desde sua juventude, levaram-no a buscar soluções à luz do Evangelho, por meio da fundação do “Lar de Cristo” (Hogar de Cristo) e da ASICH (Associação Sindical Chilena). Depois de uma dolorosa enfermidade, enfrentada heroicamente, morreu em 18 de agosto de 1952. Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II em 1994 e canonizado pelo Papa Bento XVI em 23 de outubro de 2005.

Mensagem de Santo Alberto Hurtado aos universitários

Meus queridos universitários: ao tratar estas matérias[temas relacionados ao universitário católico] se experimenta certa apreensão e desconfiança instintiva, e assim vacilam alguns, não ante o temor das críticas de um e outro lado, pois se sabe que, diga o que se diga, não se escapará delas, mas sim porque, tendo a missão de ensinar, teme que lhe falte o valor para dizer a verdade por inteira, coisa às vezes tão difícil, ou melhor, não sabe se manter no justo equilíbrio e no ponto médio onde se encontra a virtude. Mas, apesar desses perigos, aceitei esse tema por três motivos.

  1. Porque me parece sumamente adequado para esse retiro de preparação para a festa do Sagrado Coração de Jesus, a festa do amor; e o dever social do universitário não é senão a tradução concreta à sua vida de estudante, hoje, e de futuro profissional, amanhã, dos ensinamentos de Cristo sobre a dignidade de nossas pessoas e sobre o mandamento novo, seu mandamento característico, o do amor.
  2. Em segundo lugar, pela urgência ardente dos Papas a nós sacerdotes a que exponhamos claramente e sem vacilações esse tema.
  3. E, finalmente, uma terceira razão se desprende de vossas características de universitários. Calar sobre esse tema ante outros auditórios seria grave, mas ante vós seria gravíssimo e criminoso, como vós sois os construtores dessa sociedade nova, vós sereis os guias intelectuais do País. As profissões, que foram a estrutura da vida nacional, serão o que vós serão, e vós trabalhareis em grande parte segundo a luz que têm dos problemas, e vossa conduta social será condicionada por vossa formação social.
Santo Alberto

Santo Alberto Hurtado se dirigindo

aos jovens e operários

E sem mais preâmbulos entro na matéria. O primeiro problema é certamente o da vida interior, dali e somente dali deve vir a solução, a força, o dinamismo necessário para enfrentar os grandes sacrifícios: o mundo não será devolvido a Cristo por cruzados que somente levam a Cruz impressa no seu peito. A exigência de nossa vida interior, longe de excluir, incentiva uma atitude social fundada precisamente nesses mesmos princípios que baseiam nossa vida interior. Não poderíamos chegar a ser cristãos integrais se, dando-nos por contentes com uma certa fidelidade de práticas, uma certa serenidade de alma, uma certa ordem puramente interior, nos desinteressássemos do bem comum; se professando da boca para fora uma religião que coloca no cume de sua moral as virtudes da justiça e caridade, não nos perguntássemos constantemente quais são as exigências que elas nos impõe em nossa vida social, onde essas virtudes encontram naturalmente seu emprego.

Foto do santo tirada por Dom Rodolfo Valdés Philp​

O católico deve ser como ninguém amigo da ordem; mas a ordem não é imobilidade imposta de fora, senão o equilíbrio interior que se realiza por um cumprimento da justiça e da caridade. Não basta que haja uma aparente tranquilidade obtida pela pressão de forças insuperáveis; é necessário que cada um ocupe o sítio que lhe corresponde conforme a sua natureza humana, que participe dos trabalhos, mas também das satisfações, como convém aos irmãos, filhos do mesmo Pai.

O fiel, se quer o ser em pleno sentido da palavra, é um perpétuo inconformista, que alimenta sua fome e sede de justiça na palavra de Cristo, e que busca o caminho de saciar essas paixões devoradoras dos ensinamentos da Igreja, que não é mais que Cristo prolongado e vivendo entre nós.

A documentação pontifícia sobre a Ação Social é imensa. À luz desses ensinamentos podemos, pois, marchar tranquilos. Sua Santidade Pio XI dizia com pena que os católicos do mundo inteiro bastante instruídos, em geral, em relação a seus deveres individuais, ignoram, em sua maioria, seus deveres sociais. Nós, ao menos, não sejamos surdos à voz de nossos Pontífices, tão claramente exposta em matéria social.

Motivos que urgem a ação social. Antes que nada, nos pressiona a mobilizar todas nossas forças em favor da solução social em conjunto de interesses gravíssimos que estão em jogo. Trata-se nada menos que da vida de tantos irmãos nossos. Recordemos a mortalidade infantil; os desabrigados, que não tem um teto que possam chamar de casa, e andam errantes pelos parques, alojando-se na porta das casas no inverno e… são irmãos nossos!!!; a desnutrição, que vai afetando nossa raça; o alcoolismo, que arruína tantos lares, material e moralmente; as enfermidades sociais; a falta de instrução; os lares dissolvidos; o problema do alojamento: o frio! Rapidamente se avista um mundo cheio de problemas, cuja magnitude desconcerta e cuja importância é transcendental para inúmeros irmãos nossos.

Santo Alberto Hurtado com crianças em Colina

A ordem social atual não corresponde ao plano da Providência. A vida religiosa em cada um dos meio sociais está dificultada atualmente pelo problema do excesso ou da falta dos meios de vida. Deus quis, ao criar-nos, que nos santificássemos. Este foi o motivo que explica a criação: Ter santos no mundo; ter filhos d’Ele nos quais se manifestariam os esplendores de Sua graça. Pois bem, como santificar-se no ambiente atual se não se realiza uma profunda reforma social?

Aqui conviria insinuar a primeira conclusão prática para o universitário católico. Cada um deve conhecer o problema social geral, as Doutrinas Sociais que se disputam no mundo, sobretudo sua Doutrina, a Doutrina da Igreja; deve conhecer a realidade chilena e deve ter uma preocupação especial por estudar sua carreira em função dos problemas sociais próprios do seu ambiente profissional. Círculos de estudos sociais especializados por carreira, para realizar o ideal de Pio XII, elemento substancial da nova ordem: a elevação do proletariado. Esse estudo de nossa doutrina social deve despertar em nós um profundo sentido social e, antes que nada, um inconformismo ante o mal, o que Henri Simon denominou admiravelmente como sendo "o sentido do escândalo".

Tradução: Thiago Martins

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