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Lula: DSI às avessas

A política sob o filtro da Doutrina Social da Igreja

· Analise de Político

Para que o Reinado Social de Cristo se torne realidade (ou seja, para que exista uma sociedade
estabelecida de tal maneira que cada cidadão tenha os recursos suficientes para, caso queira, bem exercer sua vocação pessoal e, por meio dela, alcançar a santidade), é crucial que a caridade seja vista como algo inerente à política tanto por aqueles que a exercem de forma ordinária como por aqueles que se dedicam a ela no âmbito partidário.

Deste modo, esta seção, ‘Análise de políticos à luz da DSI’, tem como objetivo evidenciar quão distantes ou próximos estão os nossos políticos da aplicação da Doutrina Social da Igreja em suas ações. O primeiro a passar por esse exame será Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de sua inequívoca luta em prol de muitas causas que contrariam os princípios da DSI, vale a pena analisar suas ações para que possamos compreender, de forma mais concreta e clara, como o lulismo contribui para a desconstrução da ordem social.

Em primeiro lugar – e para respeitar o princípio que fundamenta toda a Doutrina Social –, convém iniciarmos com um exemplo inquestionável de violação da dignidade da pessoa no que concerne à inviolabilidade da vida humana. Depois da elaboração de uma estratégia internacional para a introdução do aborto na América Latina, foi por meio do governo Lula que a expressão ‘aborto seguro’ (eufemismo ardiloso cunhado pela IPAS em 1993 para facilitar a legalização do aborto como questão de saúde pública) passou a ser usado de forma corrente no Brasil. Em 2005, o Ministério da Saúde divulgou uma norma técnica oficial sobre o “Atendimento Humanizado ao Aborto Provocado”, por meio da qual orientava claramente os serviços de saúde a realizarem a técnica de estimular a gestante a iniciar o aborto sozinha para, posteriormente, receber o tratamento final no hospital. Foi o primeiro passo de um plano que mais tarde se desenvolveu com o PNDH em 2010 e com muitos outros estratagemas elaborados para favorecer a promoção da Cultura da Morte em nosso país.

Ainda com relação a esse princípio, mas agora no campo da integridade da vida humana, Lula foi o grande promotor da relativização e da distorção da Constituição em seu artigo 226, parágrafo 3°, quando, em 2009, assinou o Decreto 7037/2009, que estabelece a meta de “reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais”; ou seja, incorporou o Brasil à agenda da ONU como um dos países propiciadores da desconstrução da instituição familiar, imprescindível para o desenvolvimento integral da pessoa humana, além de ter aberto as portas para a famigerada ideologia de gênero por meio do discurso da diversidade sexual.

Vale mencionar, por segundo, outros dois princípios bastante menosprezados pelo ex-presidente, não apenas no plano discursivo, mas, principalmente, no prático. Trata-se dos princípios da subsidiariedade e da participação, suprimidos pelo paternalismo estatal lulista. Convicto de ser possuidor de um papel redentor e de uma imagem imaculada, conforme aprendeu com a ideologia socialista, logo se empenhou em agigantar o Estado para tentar transformá-lo em uma espécie de ente divino. Instrumentalizou o judiciário para colocar o direito positivo acima do direito natural (ativismo judicial), criou obstáculos para o desenvolvimento dos corpos intermédios, cooptou parte do empresariado brasileiro – por meio de empréstimos milionários a juros baixíssimos, concedidos pelo BNDES –, burocratizou e desestimulou a iniciativa privada, desmoralizou as instituições, favoreceu o aparelhamento dos sindicatos e promoveu um assistencialismo demagógico panfletário, dentre outras barbaridades. Em resumo, enfraqueceu as instâncias inferiores, obrigando-as a depender cada
vez mais do “papai” Estado.

Com relação aos princípios da destinação universal dos bens e da solidariedade, é manifesto o
quanto Lula abusou de seu ofício para satisfazer seus interesses particulares, e não para servir ao bem comum. São incontáveis os escândalos em que esteve envolvido e organizou o maior esquema de corrupção e de assalto aos cofres públicos da história do país. Réu em 7 processos penais (por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, obstrução de justiça, tráfico de influência, envolvimento em organização criminosa, falsidade ideológica e estelionato), já foi condenado em um deles pelo juiz federal Sérgio Moro, cuja sentença foi confirmada e a pena aumentada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a 12 anos e 1 mês de reclusão. Lula se coloca, constantemente, como redentor dos pobres e trabalhadores e firme defensor da democracia, mas retirou 55 bilhões - BI, não MI - do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), responsável pelo seguro-desemprego do brasileiro, para financiar as obras feitas nos países latino-americanos governados por ditadores.

Ademais, vale ressaltar, para demonstrar a violação de um dos princípios supracitados uma prática corriqueira em seus dois mandatos: gastos injustificados com aviões presidenciais. Listo três: um Airbus A319, composto por cabine e suíte, sala de reunião, três copas e UTI, capacidade para 30 passageiros e avaliado em 56,7 milhões de dólares; e dois Embraer 190, compostos por gabinete com banheiro, 36 lugares em classe executiva e avaliados em cerca de 46 milhões de dólares cada. Agora fica mais fácil compreender por que Lula dizia que havia mais pobres andando de avião: provavelmente se referia aos funcionários que o acompanhavam nessas viagens.

No entanto, deve ficar claro que nada do que foi sobredito teria sido possível se o ex-presidente não tivesse conseguido um suporte econômico, jurídico, religioso, político e social,
além de uma estratégia muito bem traçada. Tendo isso em vista, gostaria de enfatizar o aspecto religioso e a parte estratégica de seus dois governos. O leitor compreenderá o porquê.

Lula já declarou abertamente que, se não tivesse disposto de um apoio religioso, não teria chegado aonde chegou. Refiro-me especificamente a um apoio por parte de alguns setores da
Igreja Católica no Brasil. “Mas por que é que eu cheguei aonde cheguei? Porque eu tenho por detrás de mim um movimento. Eu tenho por detrás de mim uma grande parte dos estudantes,
do PT, da CUT, da base de Igreja Católica. (...) O Walesa chegou ao poder... ele era um pelegão. (...) Só que o Walesa era fruto de uma Igreja Católica conservadora e eu era fruto da Teologia da Libertação”. Essa fala de Lula mostra que ele optou, obviamente, por seguir, no campo religioso, a ideologia que realizou a subversão da Doutrina Social da Igreja, utilizando o marxismo na interpretação das encíclicas sociais e instrumentalizando os ensinamentos do Magistério a fim de promover um discurso demagógico para as classes mais pobres.

Por fim, no tocante à proporção da estratégica utilizada, é imprescindível ressaltar a fundação de uma das maiores organizações socialistas do mundo: o Foro de São Paulo. A Doutrina Social da Igreja ressalta a importância da interação entre os países de cada continente; entretanto, isso deve servir à promoção do bem comum, e não à implementação de um socialismo continental. Em 1990, Lula e Fidel Castro, um dos maiores homicidas da América Latina, fundaram o Foro de São Paulo no intuito de reunir diversos partidos – no Brasil são eles o PDT, PCdoB, PCB, PPL, PPS, PSB, e PT – e organizações de esquerda do continente, incluindo grupos ligados ao narcotráfico, para implantarem a agenda esquerdista revolucionária.

Como se pode perceber, Luiz Inácio Lula da Silva é o perfeito exemplo do que seria a Doutrina
Social da Igreja às avessas. Caso necessitemos de um manual prático do que deve ser evitado
para que a política seja preservada, aí está.

Referências Bibliográficas

Nicholas Phillip

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