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Afinal, por que ele venceu?

Três semanas depois do 2º turno, quais as explicações para a eleição de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil?

· DSI e Sociedade

Por que Bolsonaro foi eleito?

Você pode pensar que sua vitória resultou da divulgação de falsas notícias, ou do sentimento anti-PT que tomou conta do país nos últimos anos. Mas serão esses os verdadeiros motivos?

Fake news e anti-petismo

Deixa-se claro desde já: as fake news, com certeza, não foram responsáveis pela vitória do capitão. Em verdade, elas provavelmente mais o prejudicaram do que beneficiaram. Mesmo porque, enquanto as alegadas fake news contra Haddad eram compartilhadas em grupos de WhatsApp, as falsas notícias contra Bolsonaro, além de também terem circulado em redes sociais, eram divulgadas pela grande mídia e distribuídas em panfletos em portas de Igrejas e por toda a cidade. Obviamente, toda a divulgação de uma mentira em meios de comunicação tradicionais, de alcance nacional, tem um grande peso, já que supõe-se que tais veículos não divulgariam informações sem uma análise séria de sua procedência.

Das mentiras espalhadas contra Bolsonaro, algumas podem ser destacadas:

  • Caixa 2 do WhatsApp;
  • Surto de agressões e pixações realizadas por eleitores de Bolsonaro pelo Brasil;
  • Bolsonaro querer acabar com 13° salário, Bolsa Família e direitos trabalhistas;
  • Vice de Bolsonaro torturou cantor.

São só alguns exemplos de uma lista bem grande.

Ainda, deve-se levar em conta toda a histeria coletiva que marcou a eleição de 2018: tomou-se comentários impulsivos proferidos por Bolsonaro, retirando-os do seu devido contexto com o fim de inflá-los, atribuindo, então, todo tipo de rótulo difamatório a Bolsonaro. Criou-se, então, um espantalho de um monstro em torno da figura de Jair e, quando já se estava claro que, mesmo com as difamações e toda sorte de fake news, Bolsonaro continuava crescendo nas intenções de voto, veiculou-se, em massa, que tal crescimento era devido às "fake news" supostamente vindas do próprio lado do Jair. Inverteu-se vítima e culpado. 

Para que se fique claro, em definitivo, que a vitória do capitão em nada se deveu às fake news, basta notar o apoio extensivo obtido por Bolsonaro no início primeiro turno, quando ele competia com outros candidatos e não circulavam pelo WhatsApp tantas informações falsas vinculadas ao candidato Haddad - ou, ao menos, não se falava disso. 

Ademais, esse mesmo argumento também indica que a segunda hipótese, qual seja, a de que Bolsonaro teria vencido em decorrência do anti-petismo, é falsa: a expressiva intenção de votos em Jair desde o início do primeiro turno - quando havia outras opções e o cenário de segundo turno ainda não havia se consolidado - revela a existência de outros motivos mais decisivos para sua vitória. 

Então, quais seriam esses outros motivos? 

Conservadorismo e Cristianismo

O povo brasileiro é inegavelmente conservador e cristão - apesar de isso não ser retratado na grande mídia e na representação parlamentar. Nesse contexto, Bolsonaro se mostra - há mais de 10 anos - consistente na defesa destemida da maior parte dos valores cristãos.

Diferentemente de seus opositores, que passaram, no decorrer da campanha eleitoral, do socialismo ateu ao conservadorismo cristão num piscar de olhos, Jair construiu sua campanha defendendo as mesmas bandeiras que sempre apoiou em sua vida pública. E os brasileiros sabem disso. 

Inclusive, se toda a população tivesse consciência do histórico de ataques aos valores cristãos por parte de petistas e socialistas, com certeza a vitória do capitão reformado teria sido ainda mais avassaladora.

Anti-establishment

A população percebeu que Bolsonaro era o único candidato que não pertencia ao establishment e ao teatro que tomou conta do cenário político dos últimos tempos. E que era o único capaz de enfrentá-lo. Todos estão fartos de serem erroneamente representados por falsos porta-vozes, que desdenham de seus valores, de suas crenças e de suas reais necessidades. Estão cansados de colocar a esperança de um Brasil melhor em políticos mornos, que estão mais preocupados com o reconhecimento de seus opositores do que com a realidade caótica da nação.

Muitos perceberam, então, que os políticos de costume fazem parte do mesmo establishment, divergindo apenas em questões irrelevantes e se apoiando nas importantes. Cortam por lados diferentes, mas convergem na mesma direção. Tudo mais do mesmo. O brasileiro se cansou dessa novela.

Pseudo-intelectuais, mídia cúmplice e hipocrisia

Há muito tempo, o cidadão comum é massacrado pela mídia, que diariamente desrespeita seus valores e crenças e o faz se sentir marginalizado, isolado, ignorante, simplesmente por ater-se a tradições familiares e culturais. Esse cidadão, que ficou muito tempo sufocado na espiral do silêncio, viu a bravura de Bolsonaro estilhaçar a redoma de medo que a mídia construiu para suprimir a opinião da maioria.

Ele percebeu que não está sozinho. Ao contrário, viu que está ao lado da maioria. Ao mesmo tempo, notou que muitos valores "incontestáveis" espalhados aos quatro ventos pela grande mídia, na verdade, não passam de ideologias artificiais, criadas por pseudo-intelectuais comprometidos com causas políticas, propagandeadas exponencialmente pelos meios de comunicação para dar a impressão de consenso universal.

Além disso, o discurso hipócrita "de sempre" não está colando mais. Quando midiáticos e figuras públicas, que - sejamos realistas - possuem seguranças armados e vivem em condomínios de luxo insistem em dizer à população que esta não deve reagir à violência avassaladora que tomou conta da nação, eles só estão conseguindo irritar essa mesma população. Quem trabalha duro para pagar as contas e sustentar sua família, e que se preocupa com problemas reais, está cansado de ouvir âncoras tagarelando sobre assuntos fúteis e irrelevantes. O cidadão ordeiro quer soluções objetivas para suas preocupações.

Conclusão

Certamente, as explicações dadas continuam sendo insuficientes para explicar a ascensão de Bolsonaro como um todo. Para tal, seria necessário descrever todo o movimento de reforma cultural iniciado pelo Prof. Olavo de Carvalho décadas atrás. Contudo, a análise apresentada serve para demonstrar que o presidente eleito tem apoio legítimo e consciente da maioria da população, a qual não votou nele por ter sido enganada por supostas fake news, ou por puro medo de uma volta do Partido dos Trabalhadores, mas por ver em Jair Bolsonaro um imperfeito mas verdadeiro e corajoso representante de seus valores e anseios.

Silvério Vale

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