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A Espanha nas mãos de um socialista

O que significa a ascensão de Pedro Sánchez ao cargo de primeiro-ministro da nação que outrora foi o bastião do catolicismo na Europa

· DSI e Sociedade

Em 02 de junho de 2018, o Primeiro-Ministro do Reino da Espanha, Mariano Raroy, do Partido Popular (PP), após uma série de escândalos de corrupção envolvendo seu partido, foi destituído do cargo por uma “moção de censura”, ato pelo qual o Parlamento Espanhol vota a derrubada de um governo.

Tal moção foi orquestrada por partidos de esquerda, separatistas catalães e separatistas bascos, e alçou ao cargo de Primeiro-Ministro o socialista Pedro Sánchez Pérez-Castejón, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

O primeiro ato do novo premier já revelou para o que ele veio: ao tomar posse diante do rei Filipe VI no Palácio de Zarzuela, negou-se a fazer o tradicional juramento com as mãos na Bíblia diante de um crucifixo, como o fizeram seus predecessores. Ao contrário, em sua posse havia apenas a Constituição, e nenhum símbolo religioso.

Pedro Sánchez jura como Primeiro-Ministro da Espanha ante o rei Filipe VI

Analistas tentaram justificar essa opção de Sánchez como uma mera demonstração do caráter não-confessional do Reino da Espanha e não como um repúdio aos símbolos religiosos. Contudo, quem conhece a esquerda e o socialismo europeus, bem sabe que é uma marca insanável a sua rejeição pelas origens cristãs do continente e uma certa amnésia em relação a tudo quanto recorde que aquelas nações foram germinadas na fé cristã e se solidificaram fiéis à cruz.

Cumpre ressaltar, nesse sentido, que de todas as nações europeias (e esse “todas” não é um exagero), a Espanha é sem dúvida aquela que mais deve à fé cristã. O próprio surgimento da Espanha foi um ato de fé cristã! Sánchez não deve se recordar ou se envergonha das origens de seu povo e de sua nação (pois como se sabe, os socialistas veem como opressão a tudo quanto antecedeu o ano em que Karl Marx lançou “O Manifesto Comunista”).

Quando o reino dos Visigodos (atual Espanha) foi invadido e conquistado pelos muçulmanos em 711, alguns valorosos guerreiros cristãos refugiados no norte (nas montanhas das Congas de Onís), liderados por um nobre chamado Dom Pelágio, iniciaram a resistência e venceram os muçulmanos na Batalha de Covadonga em 722, batalha que marcou o início da Guerra da Reconquista, uma série de conflitos armados que durou cerca de 800 anos, a partir dos quais os cristãos espanhóis foram pouco a pouco reconquistando as terras que os muçulmanos haviam lhes tomado.

Ano após ano, década após década, século após século desde Covadonga, nos vários reinos cristãos que foram surgindo após a reconquista de Dom Pelágio – Astúrias, Galiza, Leão, Castela, Pamplona, Portugal, Navarra, Aragão -, sob a liderança de reis destemidos como Fernando I, o Grande, Afonso VI de Castela, São Fernando III de Leão e Castela, Pedro II de Aragão, Sancho VII de Navarra e de heróis quase míticos como El Cid, o povo espanhol foi sendo germinado em meio às lutas dolorosas contra os invasores, gravando na memória e no sangue nos filhos da Hispânia os nomes de grandes batalhas que venceram enquanto gritavam o nome de Jesus Cristo e suplicavam pela intercessão de seu querido Santiago – Covadonga, Arouca, Lutos, Higueruela, Clarijo, Santarém, El Puig, Simancas, Lisboa, Navas de Tolosa e incontáveis outras.

Aliás, o próprio momento em que a atual Espanha nasceu – 02 de janeiro de 1492 – foi um último grande ato de resistência cristã: quando os reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão, casal que reunificou os reinos cristãos espanhóis, reconquistaram Granada, última posse muçulmana na Península Ibérica, colocaram na torre mais alta da cidade uma grande cruz, para que todos soubessem que “Granada ahora es cristiana”. Granada agora é cristã! E não só Granada, mas toda a Espanha nascida do sangue de Covadonga.

Reconquista de Granada por Fernando e Isabel, os Reis Católicos

Como atestação de sua fé e perseverança na defesa da verdade, os dois devotos reis receberam do Papa Alexandre VI o título de “Reis Católicos”, e a Espanha seria para sempre lembrada como a mais católica nação europeia, permanecendo durante séculos conhecida como o bastião do catolicismo no continente, prestando à Igreja a incomensurável tarefa de trazer milhões de almas além-mar para Jesus Cristo.

Por essas razões todas, seria correto dizer que, até cem anos atrás, ser espanhol era sinônimo de ser católico! Mas e agora? Bem, agora nós vemos um país completamente dessacralizado, com suas antigas tradições todas rejeitadas. Vemos um povo que rejeita suas raízes cristãs e que abraça a mentalidade revolucionária em nome de um mundo que se considera mais perfeitinho e igualitário, mas que, na verdade, apenas se desemboca numa entrega dócil às mãos de ideologias nefastas, que encaminham a terra de Fernando e Isabel para a ruína.

Por outro lado, em contraste a esse estado de coisas está Sua Majestade Católica, o Rei Filipe VI. Descendente e herdeiro daquela multidão de monarcas medievais que lutou contra os mouros, assim como dos Reis Católicos, Isabel e Fernando, herdou deles o título de “Rei Católico”, que, por óbvio, não é usado, mas que jamais foi suprimido. Ele espanta a mídia secular europeia por levar suas duas filhas, a princesa Leonor das Astúrias e a infanta Sofia, à Igreja aos domingos e às aulas de catequese e por participar de Missas públicas nos grandes feriados cristãos, bem como por beijar as mãos do papa (homenagem que presidentes se negam a fazer).

Família real espanhola quando da Celebração da

Primeira Comunhão da Princesa Leonor (herdeira do rei Filipe VI)

No trono desde 2014, quando da abdicação de seu pai, Filipe VI recuperou a popularidade da monarquia espanhola e, quando o país precisava de uma atitude firme ante o separatismo catalão, foi à televisão e fez um enérgico discurso exaltando o patriotismo espanhol e repudiando as tendências divisionistas, com as quais, diga-se, o atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, fez alianças para chegar ao poder.

Filipe VI e Letizia, reis da Espanha, ante o Papa Francisco

De um lado, tem-se então o Rei Filipe, herdeiro dos reis medievais e guerreiros católicos da Reconquista, o maior símbolo da tradição hispano-cristã; de outro, Pedro Sánchez, o socialista, que é espanhol apenas na certidão de nascimento, mas que, internamente, deve detestar tudo quanto soa a espanhol (ao que é de verdade espanhol!). Passemos, pois, a uma breve "passada de olho" em algumas ideias e ações políticas do primeiro-ministro.

Logo ao compor seu gabinete, Sánchez já demonstrou seu alinhamento à patrulha ideológica recente: para agradar a plateia, optou por mais ministras que ministrOs:

“O que inclui mais mulheres do que homens, pela primeira vez na história de democracia espanhola, com o peso das responsabilidades econômicas sobre as mulheres e coloca as políticas de igualdade como foco da ação de governo” (Fonte).

Além disso, ao assumir o cargo, usando típicos chavões esquerdistas que ainda seduzem desinformados, deixou claro que não governará para os espanhóis e sim para uma sociedade aberta:

(vou) ser um fiel reflexo do melhor da sociedade que aspiramos servir, que é paritária, intergeneracional, aberta ao mundo e com apoio de uma União Europeia comprometida socialmente e altamente qualificada” (Fonte).

Ateu declarado, o primeiro ministro ainda prometeu em entrevistas remover símbolos religiosos das instituições, acabar com o financiamento público para a Igreja Católica e tirar a religião do currículo escolar (Fonte).

Não é difícil perceber que Sánchez renega com obstinação as origens cristãs da Espanha; e, como não poderia ser diferente, é apaixonado pelos muçulmanos, chegando a afirmar que dedicará atenção especial à “plena incorporação de comunidades islâmicas ao projeto europeu e ao reconhecimento da contribuição árabe para a cultura europeia”. Nada caracteriza melhor o "bom" esquerdista do século XXI do que isto: aversão brutal a tudo que é cristão, condescendência mórbida com os muçulmanos.

Que Deus socorra a terra de Fernando e Isabel, e que Santiago e Santa Teresa de Ávila intercedam pelo reino que nasceu de Covadonga, confirmando o Rei Filipe na grandiosa tradição da qual ele é descendente, a fim de que Cristo reine em seu trono como reinou no de seus antepassados!

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